Minha vida

As pessoas que conheci e os momentos que vivi com elas

This page is powered by Blogger. Isn't yours?
terça-feira, dezembro 18, 2001
 
Aos seis anos de idade tive que passar por uma cirurgia de fimose. Foi um dos momentos mais traumáticos de minha vida. Minha avó Tereza foi quem me acompanhou até o hospital. Até chegar lá eu não tinha idéia do que realmente iria acontecer comigo. Só sabia que iria fazer alguma coisa para meu pipi parar de doer toda vez que eu fizesse xixi.

Quando eu já estava na mesa de operação fiquei assustado e constrangido ao descobrir que quem iria me operar era uma doutora. Não gostava da idéia de uma pessoa estranha tocar em lá naquele lugar em mim, ainda mais uma mulher. Ela percebeu minha situação e tentou me acalmar dizendo que não ia doer nada, que eu iria tomar uma anestesia geral e que só iria acordar depois de tudo terminado. Eu disse a ela que não ia adiantar me anestesiar porque de maneira alguma eu iria dormir e em hipótese alguma eu iria permitir que ela tocasse em mim.

O anestesista chegou e eu o encarei com ar de desafio, já avisando para ele que não ia adiantar nada aquilo pois EU NÂO IRIA DORMIR. Ele aplicou a injeção e eu não fiz nenhuma careta de dor. Ele saiu e logo em seguida a doutora voltou dizendo que a cirurgia iria começar em 10 minutos. Disse a ela que eu não estava sentido efeito nenhum da anestesia, e que seriam necessárias pelo menos umas 10 doses para eu ficar sonolento.

Duas horas depois acordei numa cama com minha avó sentada ao lado. Ela me disse que tinha dado tudo certo na cirurgia, que alguns minutos após a anestesia eu cai no sono e a doutora me operou. Quando olhei para minha virilha tomei um susto!!! Estava tudo vermelho e a cabeça do meu pipi estava pra fora agora, e com uma argolinha no pescoço...

Na mesma tarde a doutora foi me visitar. Fiquei com um pouco de raiva dela, afinal ela tinha feito "aquilo"... Mas então descobri que ela era bem legal. Ela me explicou o que era a cirurgia e que eu teria que ficar uns 45 dias com aquela argolinha até que ela se soltasse. Com um mês eu arranquei a danada...

sexta-feira, dezembro 14, 2001
 
Até os 3 anos de idade minha vida em casa era bem tranqüila. Eu era o único filho e tinha a atenção de meus pais o tempo todo. Mas em 1981 minha mãe resolveu por no mundo minha irmã Andréa. Pronto, foi-se embora aquele tempo onde eu tinha meus brinquedos e podia ficar brincando sozinho sempre que tivesse vontade.

Ela não parava de chorar!!! Não sei onde ele encontrava tanto fôlego! Além disso eu tinha que ficar cuidando dela, e sempre que eu pegava um brinquedo ela começava a chorar:
- Auauauauauauau!!!
E apontava para o brinquedo, querendo que eu o colocasse em suas mãos. E meus pais me obrigavam a fazer isso. Com poucos meses meus brinquedos estavam destruídos.

Mesmo depois de mais crescidinha ela ainda era impertinente. Passei um ano pedindo uma bicicleta para meu pai até conseguir ganhá-la. Assim que e ganhei a bicicleta Andréa passou uma semana chorando ininterruptamente. Resultado: ganhou uma bicicleta cecizinha. E ela nem alcançava o banco da bicicleta!!!

Mas em 1986 minha mãe ficou grávida novamente. Eu iria ter um irmãozinho!!! Eu não cogitava outra possibilidade. Se o primeiro filho tinha sido um menino e o segundo uma menina, então o terceiro tinha que ser outro menino. Revezamento. Durante toda a gravidez fiquei na espectativa. Até que uma ultrasonografia não deixava dúvidas: era um menino.

A minha felicidade era imensa. Eu já começava a imaginá-lo. Imaginava nós dois jogando bola, fazendo guerra de travesseiros. Já me via ensinando ele a jogar Pitfall.

Na véspera do parto minha vó Tereza (mãe de meu pai) foi para minha casa. Dia 23 de Fevereiro de 1986 acordei e minha mãe não estava em casa. Perguntei à minha avó e ele disse que minha mãe estava no hospital. Quando foram 10 horas da manhã o telefone tocou e minha avó atendeu:
- Alô?! Nasceu!!! Verdade?!! Que maravilha!!!

Desligou e me disse:
- Sua mãe teve gêmeos!!! Duas meninas.

De início fiquei decepcionado. O pior ainda é que minha mãe disse que tinha fechado a fábrica. Não era mais possível eu ter um irmãozinho.

Mas com o tempo percebi que Adriana e Alessandra em nada se pareciam com Andreá. Elas quase não choravam e gostavam de brincar com os brinquedos delas. Quem ficou com cíumes agora foi Andréa, que perdeu o "poder" em casa.

Joguei bola com elas. Fiz guerra de travesseiros com elas. Até as ensinei a jogar Sonic no MegaDrive. Gosto muito de minhas irmãs. Das Três. Andréa agora mudo 100%. Exagero, 70%. A danada até se casou no início deste ano...

quinta-feira, dezembro 13, 2001
 
Meu pai foi gerente numa rede de supermercados chamada Casas Moreira. Em 1989 ele foi transferido da filial de Dracena-SP para Rondonópolis-MT. Os funcionários do supermercado de lá eram muito legais, e logo fiquei conhecendo todos. Tinha o Perez (dos eletrodosméticos), o Sérgio (dos Discos), o Nelson (da confecção), o Juarez (do açougue), o Carlão e o Sérginho (do depósito). Existiam vários outros, mas agora vou me concentrar no Sérginho, o Cross. Era assim mesmo que todos o chamavam: Sérginho, o Cross.

Séginho, o Cross, é feio, magrelo e baixinho, parece com aquele Zé Bonitinho da televisão, mas era o terror da mulherada. Até as crianças adoravam ele. Sempre que tinha churrasco, ele era o animador da galera: gritava, ria, rolava no chão. As crianças qeriam ir para o colo dele e passear com ele. Ficavam correndo atrás dele e chamando:
- Ô, Cross! Ei, Cross!!!

Bebia e brincava com todos. Só quem se preocupava eram os pais de filhas adolescentes, pois ele era bem namorador, e as garotinhas facilmente se apaixonavam por ele.

Mas tarde ele se casou e teve uma filha. Talvez tenha sido o inverso, não me lembro. Só sei que ele sossegou com a mulherada por um tempo. Mas continuava sendo o mesmo " o Cross" de sempre.

Em 2000 fui passear em Rondonópolis e visitei o supermercado. As coisas andavam mal por lá, muitos funcionários tinham sido demitidos e a loja estava prestes a ser vendida para um grupo estrangeiro. Serginho, o Cross, já não trabalhava mais lá. Disseram que ele estava trabalhando em um supermercado da concorrência, tinha se distanciado do pessoal e estava muito mudado. Segundo eles, ele tinha criado júizo. Agora ele era conhecido apenas como Séginho. Sem o "o Cross".

quarta-feira, dezembro 12, 2001
 
Meu primeiro beijo foi aos 6 anos de idade. Tudo bem, foi só beijinho de criança, mas foi meu primeiro beijo. Eu estava no pré-escolar e tinha uma garotinha chamada Josiane que estava me paquerando. Não vou negar... eu também tinha uma quedinha por ela. Ela tinha cabelos negros e olhos grandes e brilhantes. Era também a menina mais inteligente da sala. Era um pouco gordinha, mas isso não tirava o charme dela. Me lembrava um pouco a Viúva Porcina de Roque Santeiro.

Eu estava com vontade de fazer xixi e então pedi licença à professora para ir ao banheiro. Quando estou voltando do banheiro vejo Josiane vindo em minha direção. Achei estranho, pois a professora nunca deixava dois alunos saírem ao mesmo tempo. Continuei andando em frente pensando que ela fosse passar direto. Mas percebi que ela olhava fixamente nos meus olhos. Quando estávamos lado à lado ela me agarrou (ela era maior do que eu) e me tascou um beijo. Na verdade foi só um selinho. Mas foi nosso primeiro e último beijo. Depois ela ficou me olhando, com um sorriso no rosto, e entrou no banheiro das meninas. Voltei para a sala de aula. Quando ela voltou ficamos trocando olhares e sorrisos. Era o nosso segredinho. Nunca contei nada para meus amiguinhos, porque naquela época quem andava com menina ficava sendo chamado de menininha.

Depois ela me contou que tinha armado tudo: assim que me viu saindo pediu licença à professora para sair também, alegando que tinha perdido a hora de tomar um remédio. No final do ano minha família mudou-se para Dracena-SP e nunca mais a vi.

terça-feira, dezembro 11, 2001
 
Aos 6 anos de idade (1983) ganhei minha primeira bicicleta. Eu morava em Tupã-SP. Era uma caloi-cross vermelha. Chorei muito para ganhar esta bicicleta. Foi uns dois anos fazendo bico até meu pai decidir que eu já era grande o suficiente para andar de bicicleta sem ficar me esborrachar por aí.

Depois de duas semanas andando de bicicleta já estava me sentindo bem seguro. Até apostava corrida com a garotada. Uma vez eu estava sozinho e decidi descobrir o máximo de velocidade que consegueria alcançar. Tupã é cheia de ladeiras e resolvi usar uma delas para consquistar meu objetivo. Comecei a pedalar no início da descida e usei toda minha força. A descida tinha uns trezentos metros. Corri muito. Na época eu devia pensar que estava a uns 300km/h. Coisa de criança. De repente, não sei por qual motivo, decidi fazer a curva para a esquerda. Como eu estava muito rápido tive que fazer a curva bem aberta. Na rua que eu ia entrar tinha uma pobre velhinha atravessando a rua. Apertei o freio, a bicicleta derrapou, mas não teve jeito: atropelei a pobre senhora.

Fiquei muito constrangido e preocupado e, todo ralado, fui ajudar a velhinha a se leventar. Ela carregava alguma coisa com ela, uma bolsa ou sacola, que usou para me bater enquanto me xingava. Pequei a bicicleta e saí correndo, agora com menos velocidade.

 
Em Rondonópolis-MT fiquei amigo de um rapaz chamado Christian. Nós nos conhemos num curso de computação onde aprendi MSDOS e Basic. Deve ter sido por volta 1990, e os computadores do curso eram todos CP-500, aqueles onde teclado gabinete e monitor ficam todos juntos numa única caixa. Quando faziamos algum programa legal salvávamos em fitas K-7 (disquete naquela época era uma fortuna!!!). Comecei o curso sem nunca ter tocado em um computador, mas Christian já entendia bastante.

Em 1993 Christian prestou vestibular para Matemática, já que em Rondonópolis não existia curso de Computação ainda. A intenção dele era começar o curso de Matemática e quando surgisse o curso de Computação ele faria a transferência. Saiu o resultado do vestibular e ele passou. Alguns colegas dele disseram que iam pegá-lo para fazer o trote tradicional: raspar a cabeça. Nesses trotes não se costuma raspar a cabeça da pessoa e sim deixar o cabelo cheio de falhas, para a pessoa ter que pagar o mico de andar pela cidade com o cabelo desse jeito a procura de um cabeleireiro para passar a máquina zero. Acontece que a mãe de Christian, Dona Fátima, é cabeleireira. Ele chegou no salão da mãe e disse:
- Mãe, passa a máquina zero em mim que ninguém vai me passar trote nenhum.

No final da tarde estavam Christian e a namorada, Dani, no sofa da casa dele. Ele sem camisa e de bermudão. Ela ainda estava se acostumando à careca do namorado. De repente, aparece o pessoal que queria fazer o trote no portão da casa dele, carregando tesouras e giletes. Ele, com um olhar sarcástico de vitória exibe a careca para o pessoal e diz:
- Vocês chegaram tarde demais...

Eles hesitam por uns instantes. Então um deles aponta para as pernas cabeludas de Christian e grita:
- Pega ele!!!

Depois desse dia Christian passou quase um mês careca e sem poder andar de pernas de fora na rua.


segunda-feira, dezembro 10, 2001
 
Eu tinha uns quatro anos de idade e morava em Tupã-SP. Meu pai sempre gostou de churrasco, cerveja e jogar truco. Como eu era o primeiro filho e ainda por cima menino, ele sempre me levava junto. Todos sabem que quando homem começa a beber e jogar truco só sai palavrão.

Ficava maravilhado assistindo aquelas cenas. Não entendia o que eles queriam dizer, mas ficava prestando atenção. Um amigo de meu pai subia em cima da mesa e gritava:
- TRUCO!!!

Aí meu pai gritava:
- TRÊS!!! Filho da Puta!!!
- Vai tomar no cú!!! SEIS!!!

Um dia fiz alguma coisa errada e meu pai me foi me passar um sermão. Assim que ele terminou eu disse:
- Vai tomar no cú!!!
- Como é que é?
- Vai tomar no cú!!!

Ele me deu umas palmadas e me deixou de castigo no quarto o resto do dia. No final da tarde ele me tirou do castigo e disse:
- E então, tem alguma coisa a dizer?
- Vai tomar no cú!!!

 
Quando fiz a sexta série eu morava em Rondonópolis-MT. O colégio se chamava Pastor Luter King. Foi a primeira vez que estudei inglês em minha vida. Foi a primeira vez que me apaixonei por uma professora. Foi justo pela professora de inglês. Ela era jovem, tinha uns 25 anos, loira, seios fartos. Acho que era isso que mais me chamava a atenção: os seios fartos. Ela era bem legal e passei a me interessar por inglês.

Todo fim de ano no colégio tinha a Feira de Ciências. Quem fizesse um trabalho legal, além de ficar famoso, ganhava alguns pontos no boletim. O mais importante eram os pontos que salvavam muita gente. Além disso ninguém queria ficar conhecido como CDF.

Uma garota da sala estava precisando de nota em inglês e fez um trabalho sobre o corpo humano. Ela levou um manequim da loja da mãe dela e colou um papel como o nome em inglês em cada orgão e membro do manequim. Como a menina não sabia nada de inglês ela ficava peguntando para a professora:
- Fessora, como se escreve braço em inglês?
- Arm, minha filha. A. R. M.
- E cabeça?
- Se escreve head. H. E. A. D.

A professora ia soletrando as palavras para a menina...

- Fessora, e perna?
- Leg. L. E. G.
- E joelho?
- Knee. K. N. E. E.

Até que a menina peguntou:

- Fessora e como se chama esssa região do orgão sexual?

A minha linda professora de inglês pensou uns instantes e disse:

- Escreve aí minha filha: P. L. A. Y. G. R. O. U. N. D.

 
Tico tem um primo chamado Rogério. Rogério era o garoto mais velho de nossa classe. Ele repetiu a quinta série umas quatro vezes. Assim como o primo, fazia karatê e musculação. Também era metido a maçaranduba. Só que Rogério era maior do que eu.

Certa vez Rogério invocou comigo por causa de uma menina da sala que ele gostava. O nome dela é Vanessa. Vanessa era realmente muito bonita, e estava afim de mim. E eu afim de video-game e futebol. Mas Rogério não percebia isso e disse que ia me pegar na saída. Fiquei morrendo de medo. Pensei: vou apanhar até ficar inconsciente.

Tocou o sinal da saída. Fiz o mesmo percurso que fazia todos os dias. Lá fora estavam Rogério, Tico e a turma deles. Fizeram uma roda em minha volta e começaram a gritar:
- Porrada!!! Porrada!!!...

Vanessa estava lá. Toda contente por ver dois homens brigando por ela. Me achando um herói por aceitar brigar com Rogério, o garoto mais temido do colégio. E eu quase me mijando todo.

Rogério se preparou para briga fazendo uma daquelas poses tipo "Karetê Kid". Eu tinha uma mochila daquelas que parecem uma maletinha. Ela era de papelão grosso e plástico duro. Dentro tinha alguns livros e cadernos, e um estojo enorme de madeira. Peguei minha maletinha e virei ela com toda força na cabeça de Rogério. Ele caiu com o impacto e eu sai correndo, correndo como nunca tinha corrido em toda minha vida. Tico vinha correndo atrás de mim mas não conseguiu me alcançar. Cheguei em casa e tranquei o portão.

Contei o que aconteceu para mim mãe (omitindo a parte que falava de Vanessa, é claro...) e ela foi comigo até o colégio. Ela falou com a Diretora e conseguiram recuperar minha mochila. Rogério e Tico pegaram suspenção de uma semana. Quando eles voltaram a Diretora passou uns quinze dias me levando até em casa, para evitar que tentassem me bater novamente.

 
Morei 3 anos e meio em Dracena-SP. Quando cheguei lá eu tinha 7 anos de idade. Lá conheci no colégio um garoto chamado Marcos Donatto. Era o menino mais inteligente do colégio. Mas não era um nerd não. Eu gostava muito de ir para a casa dele. Tinha um quintal bem grande onde passávamos o dia jogando futebol. Tinha também um pé de jaboticaba onde ficávamos horas e horas comendo e conversando sobre a vida.

Na rua em frente da casa dele jogávamos bete. Bete é um jogo baseado no baseball, onde existem duas duplas. Uma dupla com os tacos e a outra com a bola. Usávamos cabos de vassoura como tacos e a bola era uma daquelas de borracha. Uma vez fiz um taco com um cabo de enxada, mas o pessoal não gostou pois fazia a bolinha voar muito longe. De um lado fica um arremessador, uma casa e um rebatedor. Do outro lado, uns 30 metros distante, ficava um rebatedor, uma casa e um arremessador.
A casa nada mais é que uma lata (geralmente usávamos uma lata de óleo Soya). A dupla com os tacos tem como objetivo defender sua casa e rebater a bola arremessada pela outra dupla. Cada vez que a bola é rebatida a dupla de rebatedores corre para trocar de posição, um assumindo o lugar do outro, fazendo assim um ponto. Já a dupla de arremessadores tem como objetivo derrubar as casas (2 pontos) ou acertar os rebatedores (1 ponto) enquanto eles trocam de posição. Se acontecer qualquer uma dessas coisas a dupla de arremessadores conquista os tacos e a outra passa a arremessar.

Também jogávamos muito video-game. Ele tinha um Atari e passávamos o dia competindo no Tênis, Boxe, Baseball, Volley, ou até mesmo para ver quem fazia mais pontos no River Raid.

Marcos Donatto tem dois irmãos mais novos: Adriano e Armandinho. Adriano era craque de futebol, jogava no time mirim da cidade. Armandinho era muito pirralho e só queria ficar atrapalhando a gente brincar.

 
Em Dracena-SP estudei com um garoto cujo apelido era Tico (o nome dele é Percival). Ele era bem baixinho, mas fazia musculação e karatê. Era metido a Van Damme. Eu era maior que ele, porém mais magro e fracote. Ele morava perto da minha casa e todo dia depois da saída do colégio ele me acompanhava pelo caminho.

Um dia Tico veio do colégio até a porta da minha casa me perturbando, querendo que eu brigasse com ele. Eu evitava à qualquer custo pois não queria apanhar. Em frente do portão da minha casa ele me deu um soco na boca. Começou a sangrar na hora, mas não quebrou nenhum dente. Passei a mão na boca e senti aquele líquido quente escorrendo pelo meu queixo. Fiquei morrendo de ódio, mas ainda assim queria evitar a briga para não ocorrer coisa pior. Não pensei duas vezes: peguei o chiclete que eu estava mascando e grudei no cabelo dele. Ele me deu um soco no estômago e foi embora.

No outro dia Tico apareceu no colégio com a cabeça raspada. E na saída ele não me esperou para ir embora comigo.

 
Em Tupã-SP estudei em um colégio chamado EEPG Anísio Carneiro. Lá conheci muita gente legal. Tinha um garoto chamado Lineu, que era o cara mais gordo da sala. Não tinha outra: o pessoal chamava ele de Lineu Pneu.

 
Em 1985 minha família se mudou de Tupã-SP para Dracena-SP. Em Dracena a voltagem é de 220V e em Tupã é 110V. Tivemos que comprar transformadores para quase todos os eletrodomésticos. Alem disso o calor em Dracena era infernal. Durante a noite nós desligávamos a geladeira para utlizar o transformador dela em um ventilador que ficava no quarto de meus pais. Toda manhã eu pegava o transformador no quarto de meus pais e colocava na geladeira para poder ligá-la.

Um dia fui repetir o mesmo processo de sempre: levar o tranformador no quarto até a cozinha. Quando eu já estava na cozinha o transformador escorregou de minhas mãos e caiu no meu pé, bem em cima de um dedo. Fez um barulho enorme e jorrou sangue para tudo quanto era lado. Minha mãe acordou com o barulho e gritou:
- Que barulho foi esse?!
- O transformandor caiu...
- E quebrou?
- Não. Ele caiu no meu pé....
Em dois segundos minha mãe estava na cozinha (a distância do quarto dela até lá era de uns 10 metros), assustada e impressionada com a quantidade de sangue espalhado no chão. Perguntou:
- Tá doendo?
- Num tô sentindo nada...

Ela ligou para meu pai e ele me levou até o hospital. Eu tinha apenas sofrido uma fratura exposta de um dedo do pé. Fiquei com gesso uns 15 dias.

Hoje o dedo continua lá, inteirão, nenhuma cicatriz. Só ficou meio bobo, não se movimenta direito.


 
Um tempo atrás li o Minhas Mulheres e Meus Homens de Mário Prata e fiquei pensando em escrever algo parecido. Não que eu ache minha vida muito interessante. Na verdade até agora foi uma vida muito pacata. Não cometi nenhuma loucura que outras pessoas já não tenham cometido. Apenas gostaria de relembrar momentos que vivi e as pessoas que conheci. Não vou seguir uma ordem cronológica, até porque não me lembro exatamente quando certas coisas ocorreram. Vai ser um exercício para minha memória.

Quero dedicar este blog a todas as pessoas que conheci e que ainda vou conhecer. Na verdade não sei bem para quem estou escrevendo. Acho que para eu mesmo ler. Mas se algum dia uma dessas pessoas encontrar este blog e entrar em contato comigo vou ficar muito satisfeito.

Marcos Aurélio Alves
aamarcos@yahoo.com